27 de novembro de 2018

Uma amiga indicou // O ódio que você semeia - Angie Thomas

Sinopse:
Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo.
Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
Acima de tudo, Starr precisa fazer a coisa certa.
Nesse mês de Novembro, eu e as meninas do Uma amiga indicou decidimos deixar em aberto a escolha entre ler ou assistir algo com personagens negros, por conta do Dia da Consciência Negra.
Eu escolhi um livro que já queria ler há muito tempo, só precisava de um pretexto pra fular a fila dos não lidos que tenho na estante, rs: O ódio que você semeia, da autora americana Angie Thomas, um YA publicado ano passado pelo selo Galera Record.
"Eu não sabia que uma pessoa morta podia ser acusada pelo próprio assassinato, sabe?"
Eu não sabia que um livro podia gritar até ler "O ódio que você semeia". Ele grita por mudança, por justiça, por mais empatia, mais humanidade, por menos racismo, menos "pré-conceitos"... Basicamente, foi feito para gritar verdades na nossa cara!

"Qual é o sentido de ter voz se você vai ficar em silêncio nos momentos que não deveria?"

Angie Thomas se utiliza de uma narrativa direta e objetiva – sem meias palavras, sem panos quentes – mas sem deixar de ser sensível também.

Essa foi uma leitura intensa pelos acontecimentos e temas delicados que se propôs a tratar; porém, ao mesmo tempo, não abandonou a vibe adolescente, a fluidez, ou a simplicidade de um YA. A história é cheia de referências pop (que eu adorei), e critica e encara com uma ironia invejável a nossa (triste) realidade.

A cultura e identidade negra são muito presentes no livro, acho que nunca li nenhuma outra ficção em que isso estivesse tão fortemente em evidência: como se fossem protagonistas na trama, tamanha a importância dada. Perceber isso me fez pensar "ainda bem que esse livro veio a existir!", e também "precisamos de mais, isso faz falta!".
"Já vi acontecer um monte de vezes: uma pessoa negra é morta só por ser negra e o mundo vira um inferno. Já usei hashtags de luto no Twitter, repostei fotos no Tumblr e assinei todos os abaixo-assinados que vi por aí. Eu sempre disse que, se visse acontecer com alguém, minha voz seria a mais alta e garantiria que o mundo soubesse o que aconteceu. Agora, sou essa pessoa, e estou morrendo de medo de falar."
E falando em protagonistas, Starr não é uma personagem nada fácil ou comum, ela exige de você muita empatia e sensibilidade.
Queria tanto ver seu crescimento na história, que não senti vontade de guardá-la num potinho e protegê-la do mundo cruel: eu queria mesmo que ela acordasse, aprendesse com seus erros, encarasse o mundo de frente, e fizesse o que tinha de fazer. Eu acreditei nela, e torci muito pra que suas atitudes acertadas mudassem qualquer coisa.
"Às vezes você pode fazer tudo certo, e mesmo assim as coisas dão errado. O importante é nunca parar de fazer o certo." 
Eu adorei os pais da Starr, a família dela é bem legal e você se sente parte dela enquanto lê; Khalil me conquistou logo de cara (pra minha tristeza); e Chris (o namorado branco) ganhou muitos pontos comigo ao longo do livro (e a Starr sendo injusta com o coitado, parece eu na vida kkk).
"– 'Pac disse que Thug Life, "vida bandida", queria dizer The Hate U Give Little Infants Fucks Everybody, ou "o ódio que você passa pras criancinhas f*** com todo mundo"
É daí que sai o título do livro, e é bizarro como a T.H.U.G.L.I.F.E. faz todo o sentido em mais de um contexto. O ódio que você semeia é claro como água, realmente não tem como ser mais cristalino ao transmitir uma mensagem do que esse livro!

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A obra prende seu interesse desde o início, traz uma história relevante que deveria ser obrigatória, e é apelativa sim – mas no pé em que estamos em pleno século XXI, não lhe sobra outra alternativa!

Nem vale a pena citar as questões "técnicas" que me fizeram tirar meio ponto da avaliação perto dessa obra tão atual e necessária que não precisou ser perfeita pra ser um hino.

O final feliz aqui não importa (aliás, que epílogo foi esse, hein? 👊👏), mas sim o que sentimos e refletimos por sobre essas páginas e o que faremos sobre/com isso. Porque se essa obra não te chacoalhar em algum momento, eu não sei o que vai!
"As pessoas estão percebendo e gritando e marchando e exigindo. Não estão esquecendo. Acho que essa é a parte mais importante."
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E estou louca pra ver como ficou o filme!
Só quero que seja bem fiel e que a trilha sonora seja um arraso! hahahah

Avaliação: 4,5 ()

Uma Amiga Indicou: Escolher um livro, filme ou série com personagens negros
Blogueiras participantes ♥: Alessandra (Estante da Ale), Carol Rodrigues (Caverna Literária), Pâmela (Interrupted Dreamer) e Priscilla (Infinitas Vidas).

15 comentários:

  1. Carol, que resenha linda!
    Eu nem li o livro e já estou sentindo tudo o que ele quer passar.
    Todo mundo fala muito bem dessa lindeza e eu quero muito ler (só que vou ter que esperar, só posso voltar a comprar livros em março. Droga de desafio de um ano sem comprar livros!).
    Talvez eu veja o filme antes se não aguentar de curiosidade, hehe.
    E é realmente algo muito necessário falar sobre esse assunto.
    Vivemos um mundo do politicamente correto onde teoricamente não teria mais racismo, mas estamos tão longe disso, ainda mais no país.
    Posso não me identificar com a história, porque essa não é a minha realidade, mas tenho certeza que vou me emocionar.

    Beijooos

    www.casosacasoselivros.com

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  2. Oi, Carol!
    Eu amo um livro e é isso! Nossa, eu gostei de tudo e entendo esse jeito da Starr. Ela vive em dois mundos completamente diferentes, então ela tem uma visão bem clara do que se passa em cada.
    Menina, o filme está maravilhoso!
    Beijos
    Balaio de Babados

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  3. Oi, Carol!!!
    Estou muito ansiosa pelo livro e pelo filme.
    Ainda não li, mas é uma leitura tipo obrigatória que quero fazer em 2019. E quero ler antes de ver o filme.
    Que bom que você gostou e todos tem a mesma opinião que a sua... É um livro necessário! Por isso quero tanto.

    Beijos :*
    Sankas Books

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  4. Oi, Carol! Tudo bom?
    Eu amo e venero esse livro e se pudesse sairia distribuindo ele pra todo mundo. Gostei muito da Starr como voz dessa história - e gostei de como, mesmo com os temas pesados, a Angie conseguiu deixar a narrativa jovial pra alcançar o público alvo da obra.
    E MEU DEUS OS PAIS DA STARR MELHORES PESSOAS, EU AMO UM MAVERICK!
    Tô louca pra ver o filme.

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    www.queriaestarlendo.com.br

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  5. Oi Carol.
    Sua resenha ficou maravilhosa! Eu amei esse livro e gostaria que ele fizesse parte de campanhas nas escolas, acho que todos deveriam ler! Estou muito ansiosa para conferir o filme.
    Bjus
    www.docesletras.com.br

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  6. Olá, Carol.
    Eu queria muito ler esse livro antes do filme mas acho que não vou conseguir. Acho esse tipo de livro necessário porque olha o ano em que estamos e ainda tem tanto racismo no mundo. Tomara que o filme seja fiel porque tem muita gente que só vai assistir em vez de ler.

    Prefácio

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  7. Oi Carol,

    Quero muito ler esse livro, assim como assistir o filme. Acho que deveria ter mais livro com ''voz'' igual a esse nos catálogos literários.
    Bjs e um bom fim de semana!
    Diário dos Livros
    Siga o Instagram

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  8. Oi, xará!

    Eu cheguei a pensar em ler esse livro pro projeto, mas como sabia que esse mês ia ser bem corrido pra mim, acabei deixando de lado. Adorei a resenha, a história deve ser mesmo sensacional, quero assistir o filme logo!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com

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  9. Carolzinha, esse livro me abalou!
    Foi difícil ler, porque quanto mais eu lia, mais eu via coisas reais ali e me incomodava. Espero realmente que seja um alerta para começarmos a mudar a sociedade.
    beeeeijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  10. Muito bom! Seu blog é muito bom mesmo, estou amando ler os seus artigos..

    Já salvei seu Blog em meus favoritos.


    Estou amando seu blog ❤️ ..



    Meu Blog: Sara Alves

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  11. Oi Carol! Achei super interessante a mensagem do livro! Fiquei curiosa pra ver essa intensidade que ele traz nas urgências retratadas.
    Bela resenha!
    Beijos!
    Borboletra

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  12. Oi Carol!
    Eu to querendo muito ler esse livro desde que lançou, quando vi o trailer fiquei ainda mais impactada, espero conseguir comprar em breve e poder ler. A história realmente parece ser muito forte e relevante! Os Delírios Literários de Lex

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  13. Oi Carol,
    Eu estou doida pra ler. Parece ser maravilhoso.
    Mas, como eu quero ele físico, bem provável que assista o filme primeiro. :(

    até mais,
    Nana e Leticia - Canto Cultzíneo

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