quinta-feira, 31 de março de 2016

Resenha // Amor Amargo - Jennifer Brown


Livro: Amor Amargo
Autora: Jennifer Brown
Editora: Gutenberg
Gênero: Jovem Adulto/Drama
Ano: 2015
Páginas: 217
Volume: Único
Literatura estrangeira
Avaliação: 4,0

Sinopse
Último ano do colégio: a formatura da estudiosa Alex se aproxima, assim como a promessa feita com seus dois melhores amigos, Bethany e Zach, de viajarem até o Colorado, local para onde sua mãe estava indo quando morreu em um acidente. O Dia da Viagem se torna cada vez mais próximo, e tudo corre conforme o planejado.
Até Cole aparecer.
Encantador, divertido, sensível, um astro dos esportes. Alex parece não acreditar que o garoto está ali, querendo se aproximar dela. Quando os dois iniciam um relacionamento, tudo parece caminhar às mil maravilhas, até que ela começa a conhecê-lo de verdade…
Em um retrato realista de um relacionamento conturbado, a autora Jennifer Brown – do sucesso A Lista Negra – nos leva até o limite de nossos sentimentos.
Desde o início fica claro que a instabilidade emocional da protagonista, Alex, é recorrente ao falecimento de sua mãe, quando ela mal sabia distinguir o que havia acontecido. O distanciamento de seu pai, mesmo que descrito no livro de uma forma que nos leva a considerar que ele realmente amava sua esposa, faz Alex se perguntar frequentemente se eles eram felizes juntos, e se fossem, por que sua mãe estava indo embora?
Quando ainda criança, junto com seus dois melhores amigos, Bethany (A Determinada) e Zach (uma mistura de irmão mais velho superprotetor, tio tarado e primo mais novo irritante) ficou decidido que, assim que se formassem no colégio, se presenteariam com uma viagem ao Colorado. Desde então, os três planejavam com afinco e muita economia de dinheiro a ida até a cidade que a mãe de Alex, ao seu entendimento, estava fugindo.
"Eu precisava saber que ela estava indo ao encontro de alguma coisa, e não para longe de nós."
Pronto, as incertezas da vida de Alex e o sentimento confuso que a entristecia em relação à morte de sua mãe dividido por três (ela e seus dois melhores amigos), é descrito de forma objetiva pela autora. Mas, quando o personagem Cole entra em cena, coisas que imaginávamos que aconteceriam de uma forma no início da história, sofrem uma reviravolta e somos conduzidos à verdadeira realidade que muitas vezes evitamos aceitar que existe.

Zach me lembrou Patrick (As Vantagens de Ser Invisível), assim como imaginei Alex com a fisionomia de Adele (Azul é a Cor Mais Quente). Contudo, por mais estranho que pareça, Cole foi o único personagem que não me lembrou ninguém, em relação à sua fisionomia, mas, seu comportamento para com Alex no início do relacionamento deles, me lembrou bastante Grey (50 Tons de Cinza): pedia em tom de autoridade, gentil, carinhoso, perigoso. kkkkk não sou estranha, gente! Mas, passada essa fase, não consegui mais definir visualmente seu personagem e, durante as cenas de agressões, visualizava apenas suas mãos. Estranho né!
Cole, o aluno gato que acabara de ser transferido, precisava de nota na matéria de inglês para jogar no time de basquete da escola. Alex, a aluna estudiosa e que sempre tinha tempo para ajudar os alunos com dificuldade, fora escolhida para auxiliar Cole em seus estudos. O que fez com que ambos se aproximassem rapidamente. No início, Cole era o cara gato e simpático que viu em Alex algo que ela mesma não enxergava, fazendo com que imaginasse que eles fossem feitos um para o outro. Ele dava a ela a atenção que sempre quisera ter do pai; a compreensão que esperava das irmãs; e a sintonia que, desde que o conheceu, pensara que nunca tivera dos melhores amigos. 

Uma crítica: a autora criou uma personagem totalmente vulnerável sentimentalmente. Alex era fraca, confusa e desestabilizada, o que fez com que os motivos que ela inventava para a própria conformação em querer prolongar seu namoro com Cole (claro, após as agressões), parecessem fáceis de serem aceitos. Seria mais desafiador se a protagonista fosse segura emocionalmente, determinada e forte.
Perdidamente apaixonada por Cole, Alex se distanciou de seus melhores amigos, que tentaram alertá-la sobre a mudança de seu comportamento. Havia momentos em que ela os compreendia, e em nenhum desses momentos ela estava ao lado de Cole; e quando estava, conseguia apenas imaginar que ele podia mudar e voltar a ser o mesmo garoto carinhoso e atencioso que conheceu na sala de reforço do colégio.
Ela inventava desculpas para permanecer naquele relacionamento abusivo e, com o passar do tempo, passou a crer que eram verídicas. E a duplicidade comportamental de Cole a enchia de dúvidas.

Só que, pensando de forma realista e mais humanizada, nos deparamos com a realidade que vivemos hoje; onde, não estatisticamente, cerca de dezenas de mulheres sofrem todos os dias de violência doméstica. E por isto estar tão presente no nosso dia-a-dia, dentre todas as vezes que Alex pensava em perdoar Cole, deixando que as agressões tivessem um aumento gradativo, eu só conseguia imaginar que sua morte colocaria um fim na história. Mesmo que não tentasse soar tão dramática, ficava com raiva de Alex por ser tão trouxa. Mesmo que suas desculpas fossem tão convincentes, eu, como leitora, me negava a aceitá-las. Rs!
Entre tantas perdas e decepções, a aceitação de que Cole realmente era um monstro custou a dignidade de Alex. Seu medo era ser vista como vítima, a garota que apanhava do próprio namorado e que mesmo assim insistia em ficar com ele. Ela compreendeu que podia ter controle sobre suas próprias emoções, e que, a partir do momento que sentia mais medo que afeição, um dos dois havia deixado de amar.

Um ponto negativo: a descrição do pai de Alex, fez com que ele parecesse um zumbi, e não uma pessoa melancólica, que um dia amou alguém que partiu de forma trágica. Houve, a meu ver, certo exagero nessa parte. Mas, como o entendimento é individual, pode ser que isso tenha acontecido apenas comigo.
Isso não interferiu de forma alguma em minha paixão pela escrita simples de Jennifer, que desde A Lista Negra, me cativou. Ela consegue brincar com o tempo e o espaço de forma que não haja conflitos, facilitando nosso entendimento e deixando de lado palavras grandes, bonitas e inteligentes; ela não precisa disso para mostrar seu talento.

Bom, meus queridos, essa é minha primeira publicação no blog, e, espero ansiosa pela opinião de vocês. Estou aberta a sugestões e críticas. Beijos e um cheiro!

13 comentários:

  1. Essa autora tem um jeito único de descrever situações traumáticas e pesadas nos livros. Infelizmente, não tive muita curiosidade em ler esse, muito por me dar nervoso só pela premissa haha o que leva alguém a se submeter a tais agressões? E pelo que você comentou, no livro deixa claro que é pela personagem ser vulnerável, e imagino que isso deixe o leitor mais aflito ainda D: tipo vaai, filha, reage!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

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    1. Isso mesmo, rs! Dá vontade de entrar no livro e sacudir a Alex kkk

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  2. Confesso que pela sinopse eu não me interessei muito, mas por ser a mesma autora que escreveu A lista negra eu vou dar uma chance ao livro.

    Beijokas da Mylloka
    http://myllokasecret.blogspot.com.br/

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    1. E vale muito a pena, ainda mais por já conhecer A Lista Negra. Super recomendo.

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    2. E vale muito a pena, ainda mais por já conhecer A Lista Negra. Super recomendo.

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  3. Ameeeeei a premissa!!
    É o tipo de livro que sei que me agradaria!
    Já vou adicionar à minha lista!!

    Beijinhos, flor :*
    Sankas Books

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  4. Oi
    Esse livro trata de um tema série, acho que também ficaria com um pouco da raiva da Alex. Gostei muito da rua resenha.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  5. Curti a premissa. Não conhecia esse livro da autora!

    Beijos,
    Postando Trechos

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  6. Oi Rafa e Carol!
    Eu já li algo sobre esse livro... lembro de ter deixado de lado um pouco por ser personagens adolescentes e eu querer algo mais maduro. Mas até que me interesso pela sinopse!
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  7. Oi Rafa,
    É um livro bem interessante, já vi algumas resenhas dele, mas ainda estou pensando se leio ou não.
    Mas acho que vou acabar pegando para conhecer futuramente.
    Bjs
    Diário dos Livros
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  8. Olá, Rafa.
    Eu já li um outro livro da autora e gostei bastante. Por isso pretendo ler esse assim que der. O tema abordado é um tema bem forte. Recentemente li um livro com esse tema e mudei minha opinião sobre as mulheres que vivem esse tipo de drama. Eu achava que elas não saiam da situação porque queriam estar ali. Não sei como foi abordado aqui, mas é um assunto muito complicado.

    Blog Prefácio

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  9. Oii, acho essa capa linda e eu sinto muitas vontades de ler o livro. Sua resenha me deixou com mais vontade ainda <3

    Beijos,
    Natália

    www.doprefacioaoepilogo.blogspot.com

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  10. Oi Rafa, tudo bem? Já tinha visto o livro por aí e até ficado interessada, mas não sabia bem do que se tratava, então sua resenha acabou despertando meu interesse. Quando eu era mais nova, achava que as mulheres nesta situação é que estavam erradas. Como elas não saiam desse tipo de relacionamento?
    Hoje eu dia eu penso diferente. Tive mais vivências, li mais livros, estudei mais, conheci o feminismo e hoje sei que as coisas não são simples quanto parecem. Que a vítima as vezes está tão presa naquele relacionamento, que é para ela, impossível se soltar.
    Fico feliz que a autora aborde esse tipo de tema, isso é muito importante.
    Beijooos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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